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música no meio digital

oioi! já eu, nina, nascida em 2005, sempre fui meio leiga da tecnologia. tinha computador, mas não tinha a manha, nem vontade, de realmente explorar muito o mundo digital. jogava obsessivamente uma coleção herdada de the sims 2 (jogo base e expansões), mas a internet de fato não ocupava minha cabeça de criança (circa 2015). porém! foi mais ou menos nessa época, inclusive muito por conta do próprio the sims 2 (veja: a trilha sonora do pacote de expansão vida noturna), que eu fui desenvolver gosto musical. e com o gosto musical, veio o gosto pela música grátis, e com isso minha curiosidade cibernética foi despertada. uma das minhas maiores lembranças da infância é de quando minha mãe me ensinou a queimar cd, basicamente a única coisa que ela sabia fazer no computador, além de usar o facebook. ‧₊˚♪ 𝄞₊˚⊹

com esse afetivo, quando li how music got free, de stephen witt, eu adorei. acho legal pensar na transformação dos meios de se escutar, de se consumir mídia musical. afinal, muito da minha formação como pessoa foi se entrelaçando com essa transfiguração.

ok, agora pra contextualizar. antes da internet, a indústria fonográfica era bem-sucedida porque controlava a reprodução e a distribuição de produtos musicais. existia custo para vender música, mas também tinha muito lucro, porque era basicamente o único meio de se consumir esse tipo de produto. meu pai me conta histórias e histórias sobre como ele tinha dificuldade em escutar o que ele gostava, como adolescente brasileiro periférico alternativo nos anos 80 (muita coisa), porque vinil era caro, e vinil bom era difícil de achar, principalmente no bairro de bento ribeiro, na zona norte do rio de janeiro. ✶⋆.˚

quando a internet chega, e se descobre o potencial de compartilhar música digitalmente (e de graça), o cenário muda totalmente. e a indústria fica fula da vida. não vou entrar no debate em relação a direitos autorais e afins, porque pro que eu quero tratar, não cabe, e vocês já leram o suficiente. mas, basicamente, quando a música começou a circular digitalmente, a indústria, que antes construída com base em escassez, quebrou, e abriu espaço pra uma nova lógica, baseada agora em abundância. e bota abundância nisso. ⋆⭒˚.⋆

é exatamente por isso que os sistemas de compartilhamento cresceram tanto entre o final da década de 90 e aguentaram uns 30 anos. a música encontrou um ambiente perfeito para circular. a internet não chegou a destruir o mercado, mas ela com certeza reorganizou todo o ecossistema musical. as gravadoras perderam um pouco do seu papel tradicional como intermediárias, e novos modelos de distribuição surgiram. a frase "a música ficou grátis" talvez seja verdadeira em parte. o que realmente aconteceu foi um pouco mais complicado. ✎﹏﹏﹏﹏

ficou mais complicado porque vemos que atualmente, a indústria se sustenta quase inteiramente pelas plataformas de streaming musical, sejam elas o spotify, o apple music, o youtube music, o deezer, você escolhe! mas eles são os meios mais populares de se escutar música atualmente. dá pra pensar no surgimento dos streamings como um certo passo pra trás.. porque, quando você assina um spotify da vida, por exemplo, você perde o controle completo que você teria se você baixasse sua música independentemente (e, de novo, de graça), e se rende à lógica da plataforma.

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aqui, acho que cabe inserir um pouco da perspectiva de stephen johnson em cultura de interface. johnson argumenta que a interface não é apenas uma camada visual entre o usuário e a máquina. ela é um ambiente cultural que molda a forma como pensamos, navegamos e organizamos informações.

🎧ྀི acho que não existe exemplo melhor pra trabalhar esse conceito, senão o modo como os jovens (eu inclusa rs) escutam música atualmente. as pessoas preferem organizar seus gostos (nesse caso, musicais) dentro de plataformas otimizadas, pra deixar tudo bonitinho, e postar no story do instagram. toda hora eu vejo uma semaninha do last.fm, que é uma plataforma que rastreia os hábitos de escuta dos usuários e compila esses dados para gerar estatísticas, e principalmente, criar gráficos personalizados. a semaninha é um termo agora mais geral, não precisa significar exatamente o que você escutou durante a última semana, mas pode ser, e acaba sendo, o que você escutou durante o mês, ou até ano.

minha semaninha, pra referência: ♬⋆.˚

eu lembro exatamente de quando eu larguei meus arquivos mp3 baixados no celular e assinei o spotify. era 2017, eu tinha 12 anos, e eu tinha acabado de conhecer o k-pop (que foi indo pra trás da minha estante mental, mas que eu ainda gosto de vez em quando). em 2022, me rendi à lógica performática e fiz uma conta no last.fm, e praticamente todo dia posto alguma música que eu tô escutando no story do instagram.

tudo isso não para dizer que a mídia física morreu. ela vem crescendo nos meios alternativos, seguindo a lógica temporal. uns anos atrás, o vinil voltou a ficar famoso, e recentemente o cd também veio se valorizando, mas muito mais por valor estético do que por praticidade. se tornou item de colecionador. eu inclusive coleciono vinil! os dois meios acabam coexistindo.

acho que é isso! bjocas ( •̯́ ₃ •̯̀)