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pirataria e tecnologia

oii vidas, me chamo matheus carneiro! vim compartilhar minhas reflexões/vivências acerca do tema pirataria e tecnologia aqui nesse cantinho. esse texto é para um trabalho da faculdade (uff) na disciplina “introdução às mídias digitais”. espero que gostem! :D

primeiramente, quero destacar que, por ser millennium (nasci em 96), fui bastante impactado e influenciado pela pirataria. até o final dos anos 90, as mídias acessadas por mim ainda costumavam ser oficiais de fábrica, pois era complicado burlar os aparelhos. lembro-me, por exemplo, da biblioteca de cds e vhs do meu pai com todos os itens originais na estante, visto que a pirataria ainda não era frequente nesses setores. desse período, recordo-me também que herdei do meu mano mais velho os incríveis vídeo games mega drive, super nintendo e master system. me acho sortudo ₊ ˚ ⊹

eu amava passar as tardes tentando zerar sonic 2 com meus primos e a trilha sonora desse jogo nunca saiu da minha cabeça. eu não sabia se os cartuchos que tínhamos eram realmente originais, mas nossos pais/tios zelavam por eles. quando chegava o natal, eles nos presenteavam com as fitas e sempre ameaçavam a turminha traquina assim: “se vocês quebrarem ou sumirem com elas, não vamos comprar mais”. nessa dinâmica, viramos pequenos colecionadores de jogos e, às vezes, alugávamos alguns na locadora. saudades eternas ₊˚♡˚₊

quando ganhei um playstation e um dvd, comecei a ter produtinhos tecnológicos pirateados. eu já estava maior por volta de 2002 e, além do vídeo game, curtia assistir filmes infantis, shows e vídeos musicais. devo meus agradecimentos aos camelôs das feirinhas que vendiam as mídias pirateadas a preço de banana (10 ou 15 reais). o gesto inconsciente de democratizar o acesso, burlar o capitalismo i ndustrial e conectar pessoas do subúrbio carioca ao entretenimento nacional e internacional, embora polêmico, era vantajoso. graças aos comércios de rua, a partir de 2004, tive ótimos momentos jogando gta, crash team racing e ouvindo hip hop norte-americano ou rbd.

passei a usar computador em 2006. a meu ver, naquele tempo, não tinha muito entretenimento na rede porque a tv ainda dominava e a vida era mais física. quando tinha net, eu navegava pelos blogs, visitava o flogão, entrava em sites aleatórios (adorava esse: pudim.com.br ◕‿◕), conversava com amigos no msn, assistia clipes no youtube e mexia no orkut. curiosamente, eu não fui o adolescente viciado em jogos onlines, mas o que mais me cativou, já em 2009, foi o habbo hotel — inclusive, tudo o que eu entendo sobre pixel art foi aprendido nele. a partir disso, comecei a me interessar também por design, o que me levou a uma nova configuração de pirataria: o crackeamento. como todos os programas de edição eram gringos e caros, a opção que me restava era baixar packs clandestinamente e rezar para que os arquivos não fossem instalados com nenhum malware, um prejuízo possível da prática. confesso que já tive problemas algumas vezes, todavia, no geral, sempre dava certo :D. nesse sentido, essas gambiarras foram cruciais para o meu desenvolvimento no campo das artes digitais e, de certa forma, me norteou a estudá-las do zero, pois o canva nem sonhava em existir.

lawrence lessig, um autor apresentado em aula, critica a expansão das leis de propriedade intelectual, afirmando que elas deixaram de incentivar a criatividade para proteger interesses industriais. esses direitos deveriam durar menos tempo e ter limites mais restritos, já que não fazem sentido por todo o período do copyright tradicional. podemos associar tal lógica ao caso do photoshop, pois até para acessar versões desativadas é necessário ter uma licença paga. >:(

pensando sobre “pirataria”, também é possível identificar, através do meu relato, as controvérsias i ntrínsecas ao tema. embora ela seja uma técnica que amplie acessos a diversos produtos e conteúdos, seus impactos negativos podem envolver falta de segurança e desvalorização do trabalho de criadores, conforme acontecia comigo quando tentava baixar algum software arriscado ou assistia a um espetáculo pirateado de músicos independentes no dvd. aliás, isso me lembrou que, em 2005, eu adorava ver o álbum “banda calypso na amazônia” (sem gravadora) com minhas amiguinhas e só tínhamos a cópia.

por fim, baseado no artista ernesto oroza, reflito sobre como minha trajetória foi profundamente marcada pela colonização tecnológica e cultural. embora eu também consumisse músicas brasileiras obtidas por meio da pirataria, a maior parte dos conteúdos e produtos aos quais tive acesso era de origem estrangeira. os esforços estavam quase sempre voltados para alcançar produções internacionais, vistas como mais desejáveis ou avançadas. no entanto, essa realidade leva a uma ponderação i mportante: poderíamos, enquanto país, investir na produção de nossas próprias tecnologias, fortalecendo a autonomia nacional e reduzindo a dependência de mercados externos , seguindo o exemplo da desobediência tecnológica cubana. assim, não seria necessária tanta pirataria, neah? valeeeuuuuu ᴗ